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Alunos se preparam para disputar
Olimpíada Paulista de Física, cujas inscrições vão até 12 de
agosto
Maria do Carmo/Folha Imagem
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Emanuelle da Silva, 17, que
divide o tempo entre a física e os ensaios de sua banda de
pop/rock |
Maria do Carmo/Folha Imagem
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Rafael Marera, 12, que vai
participar pela primeira vez |
Campo de força
Manu, 17, é guitarrista e vocalista de uma banda de pop/ rock, tem
namorado e quer ser médica. Felipe, 18, faz musculação, gosta de música
eletrônica e vai prestar vestibular para engenharia aeronáutica. Rafael,
12, é um aluno exemplar e já tem planejado seu futuro: vai entrar para a
Marinha e depois estudar direito para se tornar juiz. O que esses três
jovens têm em comum? Adoram física.
Não por acaso, estão entre os
melhores na disciplina em suas escolas e vão participar da 5ª edição da
Olimpíada Paulista de Física, que acontecerá em setembro e outubro deste
ano e cujas inscrições vão até o dia 12 de agosto.
"O grande barato
da física é o desafio. Não é 'decoreba' de fórmulas, como a maioria pensa.
Você consegue aplicar em tudo no seu dia-a-dia", afirma Felipe Benincasa,
navegando contra a maré dos colegas, para quem a disciplina é uma daquelas
dispensáveis, sem nenhum uso "prático" no futuro. No último ano de um
colégio particular na zona sul, Felipe já disputou a Olimpíada Brasileira
e é a segunda vez que participa da competição estadual.
"A primeira
vez foi por curiosidade, depois tomei gosto e hoje quero ser o melhor",
conta. Apesar do bom desempenho em física, ele não faz o estilo "CDF". No
histórico, constam recuperações em português, geografia e história. "É que
essas matérias eu não gosto muito de estudar, não tenho curiosidade de ir
atrás e descobrir nada, como acontece com a física",
justifica.
Emanuelle Roberta da Silva, a Manu, também não se
encaixa no estereótipo "nerd" esperado dos participantes da Olimpíada. Boa
aluna, não tira notas baixas, mas confessa que tem facilidade na escola e
que não passa o dia inteiro com a cara nos livros. "Estudo mais as
matérias de humanas, em que tenho mais dificuldade. Mas não sou do tipo
que deixa de sair ou ensaiar para ficar estudando", afirma. A Carpe Diem,
sua banda de pop/ rock, se apresenta em bares e festivais de música. No
ano passado, ganharam da rádio Brasil 2000 o prêmio de grupo revelação do
ano, além de melhor letra no festival do colégio onde estuda.
O
gosto pela física, segundo ela, é antigo, e a participação na Olimpíada se
deve ao desafio. "Esse tipo de competição é boa para você se testar",
afirma. Manu viajou este mês para a Suíça onde, junto com outros
estudantes, representou o Brasil no Internacional Young Physics Tournemant
(Torneio Internacional de Jovens Físicos). Ela e mais quatro estudantes
conquistaram o sétimo lugar para o Brasil.
Competição O
perfil clássico de competidor não poderia ficar de fora. E seu
representante é Rafael de Moura Marera. Estudante de escola pública, é o
típico aluno exemplar. Senta na frente, presta atenção à aula, faz a lição
de casa... Para as fotos desta reportagem, escolheu como cenários o
laboratório de ciências e a biblioteca da escola.
"Gosto de
estudar. Estudo mais quando tem prova, na verdade, mas nunca tirei nota
baixa. Minha última nota de ciências foi dez" conta, orgulhoso. Rafael foi
convidado pela escola a participar da Olimpíada –o que é uma raridade, uma
vez que, segundo os organizadores da competição, em geral a rede pública
não incentiva os alunos. Apesar disso, a porção delas é representativa:
40%.
As escolas particulares, que ficam com os outros 60%,
estimulam os alunos e organizam cargas especiais de preparação. Enquanto
Manu e Felipe estão tendo quatro horas a mais de aula por semana desde
março, Rafael se prepara sozinho em casa. Talvez por isso, em cinco
edições, nenhum aluno de escola pública foi premiado.
"O olhar das
escolas públicas para esse tipo de competição é o mesmo que para o
vestibular. Infelizmente, na escola pública o aluno não aprende a ter
perspectivas, só aprende a ler e escrever e ganha um diploma para
conseguir um emprego melhor que o dos pais", acha o educador Daniel
Rodrigues Hernandez, do Instituto Paulo Freire.
Não é o que diz a
Secretaria Estatual de Educação, que afirma incentivar a pariticipação dos
alunos nessas atividades. Mas não há dúvida que na escola particular há
maior preocupação com a competitividade do mercado de trabalho.
"Por isso, ela tende a incentivar seus alunos a serem os melhores,
cobram isso", diz Daniel. Ele ressalta que não concorda com a alta dose de
competitividade que algumas particulares são capazes de instilar nos
alunos, no que chama de "meritocracia" ou cultura da rivalidade. "A
educação é muito mais que isso, mas, num país em que ela é tão
deficitária, vale mais uma escola fazer seu aluno ser o melhor no
vestibular, mesmo que seja para usá-lo como propaganda, do que não
incentivá-lo a ter um futuro."
A Olimpíada Paulista de Física, que
existe nos moldes atuais desde 2001, será em duas fases, abordando, além
da física, elementos de astronomia, geociências e ciências atmosféricas.
Os alunos que obtiverem o melhor desempenho vão receber medalhas e bolsas
de estudo para a Escola Avançada da USP e do ITA (Instituto Tecnológico da
Aeronáutica).
Os dois melhores colocados do primeiro ano do ensino
médio ganham uma bolsa de estudos de duas semanas no Canadá. Os alunos de
escolas públicas concorrem a bolsas para escolas particulares. No ano
passado, cerca de 16 mil estudantes participaram da disputa. Quem tiver
interesse, nem que seja para testar seus conhecimentos ou, como diz
Felipe, "aprender a olhar a física de outra forma" pode se inscrever
gratuitamente pelo site www.aprofi.org.
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