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Física

[1/7/2005] Neste sábado, dia 2 de julho, o auditório do Instituto de Física Gleb Wataghin da Unicamp recebe cinco estudantes paulistas de ensino médio, que representarão no Brasil na 18.a edição do Torneio Internacional de Jovens Físicos - 18th International Young Physicists Tournament (IYPT). O evento será nos dias 14 e 20 de julho, na cidade Winterthur, próxima a Zurique, onde está localizado o maior Centro de Divulgação Ciências da Suíça.

A idéia desse “aquecimento” na Unicamp é fazer com os alunos, duas garotas e três rapazes, que têm entre 15 e 17 anos de idade, ganhem desenvoltura e confiança na resolução e explicação de cada um dos 17 problemas propostos pela organização do Torneio Internacional de Jovens Físicos. As questões já estão disponíveis na Internet desde agosto de 2004 e cada uma das 23 equipes que participarão do meeting científico usa vários recursos, como espectrômetros de massa e bobinas de alta tensão, para resolvê-los. As apresentações começarão às 9 horas e são abertas a qualquer interessado. A entrada é franca.

Os problemas versam sobre os principais temas da Física, como Mecânica, Eletromagnetismo, Termodinâmica e Mecânica Quântica. Além disso, algumas questões também tratam de assuntos teóricos, como tunelamento quântico e mecânica de rotações. No evento promovido pela Unicamp, alunos de graduação e professores de Física da Universidade também ajudarão a resolver algumas dúvidas por parte dos jovens estudantes. O responsável é o doutorando Davi Ribeiro Ortega, diretor-presidente da Optical Society of American Student Chapter Unicamp (OSA-Unicamp). A OSA é uma das maiores sociedades científicas do mundo. “Participar do processo de seleção e preparação é muito importante para a OSA, pois aproxima a universidade de jovens de alto potencial científico. Essa aproximação permite que a sociedade tome conhecimento dos recursos que a universidade dispõe e auxilia o estudante na sua escolha profissional e na sua preparação para os estudos acadêmicos”, afirma Davi Ortega.

Todos os cinco alunos (veja abaixo um pequeno perfil de cada um deles) que irão participar da equipe brasileira são de escolas particulares, têm experiência em competições científicas e olimpíadas de Astronomia, Física, Química e Matemática ou se destacaram em suas escolas. “São excelentes alunos e aliam bons conhecimentos à desenvoltura e autonomia, habilidades essenciais para resolver os problemas”, diz o professor Ozimar Pereira, coordenador da equipe brasileira. “O treinamento na Unicamp representa também uma oportunidade para o estudante ser avaliado por pesquisadores da universidade, o que permitirá correções nas soluções que serão apresentadas no torneio, aumentando as chances do Brasil”, acrescenta.

Com essa preparação intensiva, o objetivo da delegação brasileira é ter um desempenho superior ao de 2004. No ano passado, em sua primeira participação, o Brasil obteve o 15.o lugar, ficando à frente de países importantes, como os Estados Unidos, por exemplo. “Desta vez estamos enviando um time melhor selecionado e mais bem preparado”, informa Ozimar Pereira. Da equipe de 2004, dois alunos voltarão este ano: são Diogo Rodrigues Bercito e Emanuelle Roberta da Silva. “Foi uma experiência muito interessante. Não é tão difícil quanto parece à primeira vista. Dá sim para ter um bom resultado”, conta Diogo Bercito.

O IYPT tem uma dinâmica interessante. É uma competição baseada em conhecimentos teóricos e práticos. As equipes são formadas por times que têm entre três e cinco estudantes, todos de ensino médio. Há estudantes de vários países do mundo. “Para este ano já está confirmada a participação de 23 times de 21 países. Do continente americano, participarão Brasil, Estados Unidos e México”, diz o professor Ozimar Pereira

Além de estimular o interesse de jovens estudantes pela Física, os objetivos do IYPT são desenvolver o pensamento autônomo e crítico e incentivar o trabalho investigativo e colaborativo. Para isso, são propostos pelo International Board do torneio, 17 problemas abertos de natureza investigativa para serem debatidos, estudados e resolvidos ao longo do ano que antecede o torneio internacional.

O professor Ozimar Pereira, coordenador brasileiro do IYPT também é diretor executivo da Associação Paulista de Professores de Física (APROFI) e responsável pela inserção de estudantes brasileiros na área de Física e Ciências em outras competições internacionais, como a International Physics Olympiad (Itália/1999 e Inglaterra/2000), International Conference of Young Scientists e a International Junior Science Olympiad (Indonésia/2004).

Perfil dos estudantes selecionados para o 18th IYPT 2005 na Suíça

Emanuelle Roberta da Silva, 17 anos
Estuda no Colégio Objetivo da Avenida Paulista. Gosta de qualquer coisa ligada à música. Junto com dois irmãos mais novos, toca numa banda estilo pop-rock Carpe Diem. Ela canta e toca violão e guitarra. Pratica esporte, é faixa roxa de judô e muito ligada à família. Experiente em Olimpíadas estudantis, participou do time brasileiro na Olimpíada Internacional de Astronomia, em 2002, em Estocolmo, Suécia e das seletivas para a Internacional de Astronomia de 2004, que ocorrerá no segundo semestre do ano em São Petersburgo, Rússia. Na Olimpíada Brasileira de Astronomia foi prata (2002) e ouro (2003) e foi bronze na Olimpíada Brasileira de Física (2003). Esteve no time brasileiro da 17.a IYPT em 2004. No final do ano pretende prestar para Medicina ou Biomedicina, na Unifesp.

Diogo Rodrigues Bercito, 17 anos
Já é a segunda vez que ele participa da competição. Por isso será o capitão do time brasileiro. Ele mora em Alphaville e cursa o terceiro ano do ensino médio no Colégio Objetivo. Pretende prestar para Jornalismo ou Direito. Em 2004, durante cinco meses, Diogo foi membro do Grupo Apoio do suplemento Folhateen, do jornal Folha de S. Paulo. Toca e dá aula de piano clássico para dois alunos. Gosta muito de cinema. “Vê de tudo”. Ganhou medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia em 2004 e, todos os anos, participa da Olimpíada Paulista de Física. De nerd, Diogo não tem nada. Faz teatro na Cultura Inglesa e gosta de jogar no computador com os amigos. Gosta de cinema (“Vejo tudo que está em cartaz”), de Fernando Pessoa e de ler clássicos (O Morro dos Ventos Uivantes, Lolita).

Daniel Nogueira Meirelles de Souza, 16 anos
Daniel cursa o segundo ano do ensino médio na Escola Educativa de São Carlos. É habitual participar de olimpíadas científicas: Brasileira de Matemática (2004-2005), Brasileira de Astronomia (2004 e 2005), Brasileira de Física (2004). Se diz um bom aluno, mas não costuma exagerar nos estudos. Gosta de ver filmes na TV e de ir ao cinema. Entre os livros, gostou bastante de ler São Bernardo, de Graciliano Ramos, e A Tempestade, de William Shakespeare.

Juliana Ogassavara, 16 anos
Ela cursa o segundo ano do ensino médio no Colégio Objetivo Paulista. Já participou de diversas olimpíadas científicas: Olimpíada Brasileira de Física (2004), Paulista de Física (2004) e Brasileira de Astronomia (2005). Ganhou medalha de bronze na Olimpíada Brasileira de Física em 2004. Juliana está superansiosa, pois é sua primeira viagem internacional. “Estou caprichando nas minhas apresentacoes”, diz. “Os problemas teóricos não são muito complicados. Mas é preciso fazê-los com atenção”. Sobre o futuro, Juliana ainda não sabe exatamente o que pretende cursar. “Estou mais para Medicina. Mas já pensei em fazer Engenharia também.”

Marcelo Puppo Bigarella, 15 anos
Ele cursa o segundo ano do ensino médio no Colégio Santa Cruz, de São Paulo. Por ser a primeira vez que irá ao exterior está bem ansioso. Até agora só participou da Olimpíada Brasileira de Física em 2004. Não se diz um aluno muito estudioso. “Procuro prestar a atenção na aula”, conta. “Quanto ao torneio na Suíça, estou bem nervoso. Espero que dê tudo certo. Tenho curiosidade me saber como as equipes mais fortes, como as da Alemanha e Polônia, estão resolvendo os exercícios”, diz. Marcelo adora cinema. “Em 2004 assisti a 62 filmes. Está tudo catalogado em minha agenda”, afirma. Literatura também é o seu forte. Ele devora livros do Sherlock Holmes e achou bem divertido o romance Memórias de um Sargento de Milícias. No fim do ano, Marcelo pretende prestar como “treineiro” para Medicina. Até recentemente ele dava cursos de informática para quatro idosas.

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