Conferência debate a relação da
Física com o desenvolvimento
O
evento, na África do Sul, reuniu 330 físicos de todo o
mundo para discutir como a física deve ser usada para
resolver questões relativas à energia, saúde, educação e
desenvolvimento econômico
Marcia Barbosa, da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, escreve
especialmente para o “JC e-mail”:
2005 foi
declarado pela ONU o ano internacional da física. Em
quase todos países do mundo foram desenvolvidas
atividades com o objetivo trazer a física para o grande
público, ressaltando a sua presença no cotidiano de cada
cidadão e a sua importância em um mundo tecnológico como
o nosso
A questão da física e desenvolvimento
sustentável não poderia deixar de ser debatida neste
ano. Reconhecendo a relevância do tema, a Unesco em
cooperação com a International Union of Pure and Applied
Physics (Iupap) organizaram a World Conference on
Physics and Economic Development. O evento teve lugar em
Durban, África do Sul, de 31 de Outubro a 2 de Novembro
de 2005.
A conferência reuniu 330 físicos de todo
o mundo para discutir como a física deve ser usada para
resolver questões relativas à energia, saúde, educação e
desenvolvimento econômico.
Além de apresentar
como a física está presente no equacionamento de cada
uma destas questões, os participantes do evento tinham a
responsabilidade de propor um conjunto de ações a serem
levadas a cabo pela Unesco e Iupap no sentido de buscar
uma solução que contemple desenvolvimento sustentável em
cada uma destas áreas.
Apesar deste ser um tema
de particular importância para um país em
desenvolvimento como o Brasil, o evento não contou com
representantes oficiais, mas cinco pesquisadores
brasileiros.
A importância do Brasil dentro do
cenário mundial no tema se fez ressaltar pela presença
de dois palestrantes convidados: José Goldenberg que deu
uma palestra sobre fontes de energia e desenvolvimento
sustentável e Maurício Pietrocola (USP) que falou sobre
as questões do ensino médio de física no Brasil. Os
debates se desenvolveram em grupos de
trabalho.
Por exemplo, grupo de trabalho sobre
física e saúde, que contou com a presença da
pesquisadora da Fiocruz Ana Pedrosa de Azevedo, debateu
temas como a divulgação de novas tecnologias na área de
saúde e estabelecimento de padrões de controle para a
utilização das mesmas.
Os demais grupos de
trabalho sobre educação, energia e desenvolvimento
econômico levantaram questões igualmente relevantes.
A conferência culminou com a elaboração de um
conjunto de iniciativas e propostas que em breve estarão
disponíveis na página http://www.wcpsd.org/
Cabe
ressaltar duas destas propostas. Uma delas foi elaborada
pelo grupo de trabalho sobre novas tecnologias do qual
participou a pesquisadora Elisa Baggio Saitovitch (CBPF)
e diz respeito à criação de uma rede de informações
sobre nanotecnologias.
A outra iniciativa,, da
qual tomei parte, cria um programa de treinamento para
que físicos possam se integrar no setor produtivo de uma
forma mais eficaz.
Este projeto tem por objetivo
preparar físicos a abrir suas empresas ou a negociar com
empresas já existentes novos produtos por eles criados.
Graças à presença de Katepalli R. Sreenivasan, diretor
do International Center of Theoretical Physics (ICTP),
neste grupo de trabalho, um protótipo deste programa
será lançado em breve no ICTP.
Espero que
organizações oficiais brasileiras, que estiveram
ausentes no evento, participem de forma ativa na
implementação das iniciativas propostas pela World
Conference on Physics and Economic Development.