A importância do Programa
Nacional de Apoio às Feiras de Ciências (Fenaceb),
artigo de Ivo Leite Filho
Precisamos acreditar e defender que a escola tem
que oferecer oportunidades para os aluno e professor
permitindo aquisição de novos conhecimentos e novos
horizontes
Ivo Leite Filho
(ivojedaleite@uol.com.br) é doutor pela Faculdade de
Educação da USP, mestre em Educação pela UFMS e
consultor do Programa Fenaceb/MEC/Unesco. Artigo enviado
pelo autor ao “JC e-mail”:
“1- só se aprende o
que se pratica [...]; 2,-mas não basta praticar [...];
3- aprendemos por associação [...]; 4- não se aprende
nunca uma coisa só [...]; 5- toda a aprendizagem deve
ser integrada à vida [...]” Dewey, (1965, p.
36-37).
É possível desenvolver projetos de
pesquisas no ensino fundamental e médio? Quais as
características motivadoras da pesquisa? Qual a relação
entre a produção científica e o cotidiano escolar? O
papel qual o papel reservado para
escola?
Precisamos acreditar e defender que a
escola tem que oferecer oportunidades para os aluno e
professor permitindo aquisição de novos conhecimentos e
novos horizontes.
A preocupação de como motivar
os estudantes e professores do ensino fundamental e
médio, para se aproximarem das atividades científicas
tem sido a tônica de grande parte das discussões entre
os educadores.
Temos a necessidade de promover
estudos de metodologias e estratégias que permitam
tornar esta dinâmica mais comum dentro do currículo das
escolas, de tal forma que o professor possa perceber que
o ambiente propício para desenvolver atividades
científicas em seu campo de atuação.
De modo
geral, o olhar do professor do ensino fundamental e
médio, no que se refere à aprendizagem do aluno, está
baseada na repetição das experiências educacionais que
ele teve.
O professor traz o modelo adotado em
sua formação universitária para dentro das escolas
públicas.
Ele acaba tendo pouco espaço para as
reflexões sobre esta prática, porque, durante o período
de aula, ele se vê obrigado a cumprir as
responsabilidades tais como: diário de classe, plano de
aula, correção de provas, correção de trabalhos,
preenchimento de formulários vindos do órgão central de
educação.
E mais recentemente, couberam outras
atividades ligadas à saúde, alimentação e à violência
urbana que, distanciando ainda mais a aproximação com a
pesquisa.
Discutir atividades de pesquisa como
uma prática do professor ainda é um problema concreto.
Deve-se retomar o problema do ensino de graduação para o
professor.
Além da constatação de que a prática
de pesquisa ainda fica distante do curso de
licenciatura, outro fator se refere ao pensamento dos
professores das escolas que a pesquisa se restringe
apenas a campos restritos: a pesquisa está associada às
ciências exatas e da terra -engenharias e ciências
biológicas.
São vários os temas que podem ser
aproveitados nas escolas, como partida para atividades
científicas: os problemas sócio-ambientais que vivem os
alunos e utilizando os jornais, telenovelas, entrevistas
e observações cotidianas.
Um trabalho científico
tem como ponto de partida a observação, o registro, a
comparação, a análise e a verificação dos dados obtidos
enriquecem muito a formação escolar do aluno, trazendo
diferenças no campo profissional e pessoal.
A
importância dos trabalhos científicos dos alunos está
relacionada com a mudança de postura que os alunos tem
frente aos trabalhos escolares do que apenas ao conteúdo
e temas publicados que possam ser publicados. Outra
importância destas atividades pelos alunos se refere à
ampliação do conceito de aprendizagem.
Neste
ponto, os trabalhos científicos migram para outros
ambientes educativos e de aprendizagem que passam pela
escola, universidade, na educação formal, e extrapolam
para diversos outros ambientes de educação não formal,
as defesas dos planos de pesquisa, os encontros entre
alunos, pais e professores, e os congressos
científicos.
As Feiras de Ciências são exemplos
práticos de como as atividades científicas para os
jovens devem ser consideradas e
incentivadas.
Vários são os conceitos sobre o que
são as Feiras de Ciências, podemos adotar em especial
este: “É uma exposição pública de trabalhos científicos
e culturais realizados por alunos. Estes efetuam
demonstrações, oferecem explicações orais, contestam
perguntas sobre os métodos utilizados e suas condições.
Há troca de conhecimentos e informações entre alunos e o
público visitante”. (ORMASTRONI, M. J.S.,
1990).
Desde 1969 quando aconteceu a I Feira
Nacional de Ciências, na cidade do RJ reunindo 1633
trabalhos e 4079 alunos de todo Brasil, o Ministério de
Educação ( MEC) não assumia um programa de grande
envergadura para a realização e organização de Feiras de
Ciências no Brasil, como ocorre agora com a Fenaceb
-Programa de Apoio às Feiras de Ciências da Educação
Básica.
Para os anos de 2005 e 2006, a Fenaceb
pretende estabelecer um apoio efetivo para as
iniciativas estaduais, incentivando ações regionalizadas
que fundamentem a valorização dos talentos dos
estudantes do ensino fundamental e médio.
Dentro
do Departamento de Políticas do Ensino Médio (DPEM) da
Secretaria de Educação Básica do MEC foi criada a
Fenaceb.
Os objetivos são: 1-Propor estratégias
visando a melhoria do ensino de Ciências da Natureza,
Matemáticas e Tecnologias relacionadas, assim como a
melhoria e ampliação da abordagem e a construção do
conhecimento científico nas disciplinas que integram as
Ciências Humanas e suas Tecnologias e as Linguagens,
Códigos e suas Tecnologias; 2-Estimular iniciativas
regionais desenvolvidas pelos professores, estudantes e
escolas de ensino fundamental (5ª a 8ª séries) e ensino
médio, nas três áreas do conhecimento; 3-Estimular
atividades de iniciação científica na educação básica
visando o desenvolvimento e elaboração de projetos e o
seus resultados; 4- Atuar proativamente em favor da
melhoria da qualidade do ensino nas Escolas Públicas do
país e exercer o papel de agente de desenvolvimento
social, cultural, científico e tecnológico do
Brasil.
A Fenaceb será aberta para todas escolas
públicas que ofertem em suas dependências o ensino
fundamental de 5ª a 8ª séries e o ensino
médio.
Para participar dessa iniciativa e ser
contemplada com recursos provenientes do MEC em apoio à
organização de eventos locais, regionais e estaduais,
cada unidade escolar deverá se inscrever junto ao
programa estadual de apoio às feiras de ciências da
educação básica.
A Fenaceb deverá ocorrer entre
junho a setembro de 2006 e o público pretendido será das
escolas públicas.
O Programa nesta primeira fase
pretende fortalecer as ações existentes, tais como a
Febrace - Feira Brasileira de Ciências e Engenharia,
organizada pela Escola Politécnica da USP; a Mostratec,
pela Fundação Liberato Salzano Vieira da Cunha do Rio
Grande do Sul; e Ciência Jovem, pelo Espaço Ciência de
Pernambuco, além de organizar as outras ações estaduais
existentes.
Com esta iniciativa, tomada pelo
DPEM/SEB/MEC e apoiada diretamente pela Unesco, será
constituído um catálogo nacional para registrar as ações
de atividades científicas para jovens em cada estado
brasileiro.
Para maiores informações procure:
Programa de Apoio às Feiras de Ciências da Educação
Básica – Fenaceb, Ministério da Educação, Secretaria de
Educação Básica, Departamento de Políticas de Ensino
Médio - DPEM/SEB/MEC, Esplanada dos Ministérios, Bloco
L, 4º Andar, Sala 425, 70058-900 Brasília –
DF.
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