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CIÊNCIA
Brasileiros
participam da olimpíada de ciência na
Indonésia [ 06/12 - 10:11 ]
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O Brasil, a partir de
terça-feira (07/12), disputa medalhas na
Indonésia. Com pouca torcida e nenhum
financiamento público, seis brasileiros - quatro
meninas e dois meninos de até 15 anos -
participarão de três dias de provas. Outros 39
países fazem parte da 1ª Olimpíada Internacional
Júnior de Ciência.
Esse tipo de evento
começou no Leste Europeu e proliferou-se pelo
mundo, sempre revelando talentos e estimulando a
busca do conhecimento. No País, surge também
como uma tentativa de melhorar o fraco ensino de
ciência nas escolas.
"A parte mais legal
da física é quando você entende por que as
coisas se movem, por que não escorregamos ao
andar, essas coisas do dia-a-dia", diz Adriane
Bagdonas Henrique, de 15 anos. Medalhista de
ouro em duas olimpíadas nacionais de astronomia,
ela falou antes da viagem à Ásia.
Adriane
mora em Atibaia, interior do Estado, estudou até
os 12 anos em escolas públicas e, no ano
passado, começou a participar de disputas em
física, biologia e português, entre outras. "O
que menos faço é estudar", garante. Dias antes
do embarque, animava-se com a idéia de poder
viajar pela primeira vez sem os
pais.
Adriane foi selecionada entre 120
estudantes inscritos de 200 escolas para
participar do torneio em Jacarta. Fez uma
redação sobre a importância da água, levou
currículo, histórico escolar e cartas de
recomendação. "O ensino de ciências em geral é
altamente teórico, são poucas as aulas em
laboratórios, poucas as possibilidades para o
aluno criar", diz o responsável pela seleção e
também organizador da Olimpíada Paulista de
Física, Ozimar da Silva Pereira.
Menos de
uma semana antes da viagem, os escolhidos
tiveram três dias de preparação no campus de São
Carlos da Universidade de São Paulo (USP).
"Vamos estudar até no avião", previa a outra
participante Bruna Guidini Santos, de 14 anos.
"Afinal, estamos representando o
País."
Na olimpíada, eles serão
submetidos, pela primeira vez, a provas
práticas, além dos testes e das questões
dissertativas sobre química, física e biologia.
"Mesmo assim, temos chance de medalha", diz
Pereira. Os dois professores que acompanham a
equipe brasileira traduzirão as provas do inglês
para o português; e farão o inverso com as
respostas dos
alunos.
Rankings
Recentes
relatórios internacionais têm evidenciado as
dificuldades do ensino brasileiro. O Programa
Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa),
que avalia alunos de 15 anos, mostra o País
sempre entre as últimas posições. Um ranking da
Unesco, que levou em conta os dados do Pisa, pôs
o Brasil na 37.ª posição em compreensão de
leitura e na 40.ª em matemática e
ciências.
O Ministério da Ciência e
Tecnologia (MCT) realizou este ano diversos
projetos pilotos de olimpíadas de matemática
apenas para alunos de escolas públicas. No
Piauí, foram 76 mil participantes, na Bahia, 30
mil. A intenção é preparar o terreno para o
lançamento, no início de 2005, da primeira
olimpíada nacional só para escolas
públicas.
Atualmente, estima-se que mais
de 500 mil adolescentes brasileiros participem
de disputas em várias áreas do conhecimento. "O
menino estuda cada vez mais para se sair melhor
na competição, como numa prova esportiva, a
escola estimula seus estudantes, os pais
pressionam a escola a preparem melhor o filho",
diz, sobre as olimpíadas, Cesar Camacho, diretor
do Instituto de Matemática Pública e Aplicada
(Impa), ligado ao ministério.
Os
medalhistas, freqüentemente, recebem bolsas de
iniciação científica ou são convidados a
participar de cursos especiais em universidades;
surge aí o primeiro contato com o ambiente
acadêmico. Alex Corrêa Abreu, de 18 anos, já é
mestre e prepara-se para ser doutor. Depois de
ganhar ouro em três olimpíadas, foi convidado a
começar sua especialização no Impa, antes mesmo
da graduação. O diploma de mestrado e doutorado,
que ele começou este ano, assim como a faculdade
de Matemática, só vem depois da formatura. "As
pessoas acham esquisito, mas eu acho
desafiador", diz. "Aqui, eu vi que a matemática
não é chata como aprendemos no colégio. Quero
ser pesquisador."
Fora esse tipo de
incentivo, quase não há dinheiro público para
patrocinar os competidores de olimpíadas. O MCT
e o Ministério da Educação (MEC) patrocinam
algumas viagens internacionais de estudantes
para os eventos e ajudam em algumas olimpíadas
nacionais. Adriane e Bruna, no entanto, não
conseguiram apoio e os R$ 12 mil que as levaram
para a Indonésia foram bancados pelos colégios
particulares em que estudam. |
Por Renata
Cafardo |
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Ag. Estado ] |
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