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23 de junho de 2004
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A fórmula do sucesso

Gosto pelo desafio + muito estudo = viagem de dez dias para a Austrália

Lúcia Monteiro

Mario Rodrigues

Da esquerda para a direita:

Victor Lazarte,
17 anos
Capitão do time, é aluno do Bandeirantes e já fez intercâmbio de um ano na Austrália

Luíza Aoki,
17 anos
Mora em São José dos Campos, estuda de segunda a segunda e adora livros de ficção científica

Diogo Bercito,
16 anos
Aluno do Objetivo em Alphaville, nos preparativos do torneio deixou de lado seu esporte favorito: a esgrima

Emanuelle da Silva,
16 anos
Também do Objetivo, é vocalista de uma banda e participou da Olimpíada de Astronomia, na Suécia

Aron Heleodoro,
16 anos
Jogador de basquete e de RPG, teve de vender pizza em Rio Claro para ajudar a pagar sua passagem



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Por que se ouve o barulho do mar ao aproximar uma concha do ouvido? Como se explica o movimento de uma moeda que gira sobre uma mesa? Essas e outras quinze perguntas esperam os cinco estudantes paulistas selecionados para o Torneio Internacional de Física, que começa na quinta-feira em Brisbane, na Austrália. Antes de embarcar, Victor, Luiza, Diogo, Emanuelle e Aron passaram por três eliminatórias, numa batalha que durou quatro meses. Cento e sessenta alunos do ensino médio de 32 escolas brasileiras tentaram uma vaga. "Para participar, não basta ser bom na matéria", explica o professor de física do Colégio Objetivo Ronaldo Fogo, que vai acompanhar a equipe. "É preciso ser extrovertido e saber argumentar." Além do resultado correto, ganha quem conseguir elaborar melhor a solução e apresentá-la oralmente com desenvoltura, em inglês.

Apesar de terem personalidades bem diferentes, os cinco compartilham o gosto pelo desafio e uma dedicação aos estudos acima da média. Fazem aulas de física opcionais e colecionam medalhas de diversas olimpíadas – matemática, química e, evidentemente, física. Detestam, é claro, ser chamados de nerds. Como qualquer adolescente, eles têm vida fora da sala de aula. Três deles namoram, Diogo pratica esgrima três vezes por semana, Emanuelle é vocalista numa banda de rock e Victor joga futebol. Mas tudo fica de escanteio quando aparece uma nova competição. Emanuelle, por exemplo, deixou de se apresentar em um show em 2002 para participar da Olimpíada de Astronomia, em Estocolmo, na Suécia. Aron Heleodoro abandonou o time de basquete da escola, em Rio Claro. "Tive de usar todo o tempo para me preparar", diz ele.

Quatro dos cinco competidores foram patrocinados pelos colégios ou pelos pais. A escola de Heleodoro só pôde financiar metade dos custos da viagem. Para conseguir o restante, ele e seu professor, Rui Christofoletti, fizeram acordo com uma pizzaria da cidade. Numa espécie de rifa, ganhavam 12 reais para cada vale-pizza que vendiam. Entre tantas fórmulas, esta foi a encontrada pela dupla para concorrer com as outras 28 equipes do mundo todo.

         
     
 
 
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